Saúde óssea em atletas de endurance: uma visão da medicina esportiva
1 de outubro de 2025
Por Dr Enzo Studart
A saúde óssea representa um pilar essencial no cuidado de atletas de endurance, embora muitas vezes seja subestimada frente à busca por performance. Modalidades como corrida, ciclismo, natação e triatlo impõem ao organismo estímulos muito específicos, que podem tanto proteger quanto fragilizar o tecido ósseo, dependendo de fatores como impacto mecânico, disponibilidade energética e equilíbrio hormonal.
Pico e declínio da massa óssea
O pico de formação da massa óssea ocorre entre o fim da adolescência e os 20–25 anos. A partir dos 30 anos inicia-se um declínio gradual, que se acelera especialmente em mulheres após a menopausa e em homens mais idosos. Atletas que não consolidaram adequadamente sua massa óssea em sua formação correm maior risco de fraturas e perda de densidade ao longo da vida esportiva, por isso a importância de se atentar para esse fator desde o início da carreira esportiva.
Estímulos osteogênicos e especificidade esportiva
A resposta óssea depende de estímulos mecânicos. Exercícios resistidos, contrações excêntricas e impacto (como saltos e corrida) são potentes estímulos osteogênicos. Já modalidades de baixo impacto, como ciclismo e natação, oferecem pouco estímulo direto ao osso, podendo levar a menor densidade mineral óssea ao longo do tempo, especialmente quando associadas a grandes volumes de treino e deficiência energética relativa (RED-S).
Monitoramento e diagnóstico
O acompanhamento médico de forma longitudinal e periódica é fundamental para identificar precocemente riscos e orientar condutas preventivas. A densitometria óssea (DEXA) é o padrão-ouro para avaliação da densidade mineral e deve ser considerada em situações como:
- Mulheres com amenorreia, menopausa precoce ou fraturas prévias;
- Homens com histórico de fraturas de estresse, perda ponderal importante ou sinais de déficit energético crônico.
Além da densidade óssea, a DEXA fornece dados de composição corporal que ajudam no ajuste de estratégias de treinamento e recuperação.
Estratégia médica preventiva
A preservação da saúde óssea em atletas de endurance depende de um tripé clínico:
- Estímulo mecânico adequado – incluir exercícios resistidos e de impacto no planejamento de treino;
- Monitoramento hormonal e metabólico – avaliação laboratorial e clínica periódica com objetivo de rastrear alterações decorrentes da RED-S;
- Exames de imagem direcionados – principalmente a densitometria em casos de risco aumentado.
Em suma, a saúde óssea deve ser encarada como um componente central da longevidade esportiva. Reconhecer precocemente os fatores de risco e integrar estratégias preventivas é papel fundamental da medicina do esporte para garantir performance sustentável e qualidade de vida ao atleta de endurance.
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